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José Erinaldo Ferreira de Lima

Lc 17,20-25. Quinta-feira da 32ª Semana do TC, 14 de novembro.

Evangelho


Naquele tempo, 20 os fariseus perguntaram a Jesus sobre o momento em que chegaria o Reino de Deus. Jesus respondeu: "O Reino de Deus não vem ostensivamente. 21 Nem se poderá dizer: 'Está aqui' ou 'Está ali', porque o Reino de Deus está entre vós". 22 E Jesus disse aos discípulos: "Dias virão em que desejareis ver um só dia do Filho do Homem e não podereis ver. 23 As pessoas vos dirão: 'Ele está ali' ou 'Ele está aqui'. Não deveis ir, nem correr atrás. 24 Pois, como o relâmpago brilha de um lado até ao outro do céu, assim também será o Filho do Homem, no seu dia. 25 Antes, porém, ele deverá sofrer muito e ser rejeitado por esta geração".

— Palavra da Salvação.


Reflexão


1. Lc agora entra no discurso escatológico. A grande pergunta dos fariseus diz respeito ao que se vivia na época em que Lc escreveu o terceiro livro do Evangelho. Havia uma tensão tremenda até mesmo para os cristãos, que estavam enfrentando as perseguições de Roma. Os fariseus, na expectativa da vinda do Reino, apegavam-se mais profundamente à Lei, e os cristãos, à vinda de Jesus Cristo.

 

2. Jesus mesmo é a presença do Reino na história. Ele mesmo é o Reino de Deus. Podemos dizer que o Reino é definido como justiça de Deus, vivência do amor, da verdade, da solidariedade, da construção da paz, entre outras coisas. Em si mesmo, é Cristo agindo, mediante o seu Espírito Santo, para a salvação de todos. De modo que, acreditar verdadeiramente em Jesus Cristo, seguir seus ensinamentos e viver do jeito que Ele viveu é cumprir o Reino de Deus na própria vida e não só isso, mas também tornar-se como que Reino de Deus para os demais. O Reino está presente na Igreja e é, ao mesmo tempo, futuro, no sentido de sua plenitude escatológica.

 

3. Nos tempos de angústias, dificuldades tremendas, desamor e desorientação, muitos seguirão qualquer voz, qualquer pessoa enganadora, que tem como meta somente explorar mais ainda a dor do outro e lucrar com ela. Acontece isso nos mais variados sistemas: capitalista, socialista e comunista, como também no fenômeno religioso atual e na luta pela fixação de qualquer jogo de interesse. Muitos se aproveitam da Palavra de Deus para criarem suas empresas religiosas às custas dos sofrimentos dos outros; enganam com falsos milagres e gritos histéricos, condenam os demais e seguem fazendo uma insuportável lavagem cerebral nos inocentes, presas fáceis dos falsos profetas, propagadores do reino da mentira. O mesmo fazem aqueles que desejam a todo custo aprovar como lei os desvarios da carne, justificando o erro como um direito, tentando forjar uma mensagem de amor. Tudo isso é falso, não é reino de Deus.

 

4. O Reino de Deus se revela na Kênosis, isto é, no esvaziamento de si mesmo para o bem dos outros. O Verbo se fez carne, e como homem, assumiu nossa miséria, morreu na cruz, rejeitado, abandonado como um malfeitor, um excomungado de Deus, como uma desgraça. No entanto, Ele estava salvando o mundo, libertando o homem, amando cada um, mesmo sendo odiado; Ele, a Graça salvífica sendo rejeitado como uma desgraça; Ele, a verdade, rejeitado como um mentiroso; Ele, a vida, rejeitado como o causador da morte; Ele o Caminho, rejeitado como obstáculo à salvação. Em outras palavras, Ele como o Reino de Deus presente para a salvação da humanidade foi rejeitado, excluído e lançado pra fora da "cidade santa". O Santo, crucificado FORA da "cidade santa".

 

5. O cristão, que vive sempre esperando a parusia, já sabe que o Reino de Deus, presente em toda a vida de Cristo, também se faz presente em sua vida. Cada um, hoje, deve assumir, corajosamente, sua condição de sinal do Reino e lutar pela transformação do mundo. Em cada discípulo, Jesus Cristo manifesta sua presença contínua, seu amor pela humanidade. A Igreja é sinal do Reino em toda sua existência, é instrumento dele, é o lugar onde se encontra o necessário para a vida do reino, que será pleno quando o Filho entregar tudo ao Pai.

 

Um forte e carinhoso abraço.


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