Naquele tempo, 1 Jesus contou aos discípulos uma parábola, para mostrar-lhes a necessidade de rezar sempre, e nunca desistir, dizendo:


 Naquele tempo, 1 Jesus contou aos discípulos uma parábola, para mostrar-lhes a necessidade de rezar sempre, e nunca desistir, dizendo: 2 "Numa cidade havia um juiz que não temia a Deus, e não respeitava homem algum. 3 Na mesma cidade havia uma viúva, que vinha à procura do juiz, pedindo: 'Faze-me justiça contra o meu adversário!' 4 Durante muito tempo, o juiz se recusou. Por fim, ele pensou: 'Eu não temo a Deus, e não respeito homem algum. 5 Mas esta viúva já me está aborrecendo. Vou fazer-lhe justiça, para que ela não venha a agredir-me!' '' 6 E o Senhor acrescentou: "Escutai o que diz este juiz injusto. 7 E Deus, não fará justiça aos seus escolhidos, que dia e noite gritam por ele? Será que vai fazê-los esperar? 8 Eu vos digo que Deus lhes fará justiça bem depressa. Mas o Filho do homem, quando vier, será que ainda vai encontrar fé sobre a terra?"


— Palavra da Salvação.



Reflexão



1. No primeiro versículo, Lc deixa claro o objetivo do texto: "a necessidade de rezar sempre, e nunca desistir". Ele sabe da importância da oração na vida de qualquer pessoa, especialmente na vida de um discípulo e de toda a comunidade cristã. Assim como as colunas são o sustentáculo de uma casa ou mesmo de um edifício, a espinha dorsal, o sustentáculo do corpo, assim também é a oração para a alma e, consequentemente, para toda a realidade pessoal (corpo e alma). Não se pode esperar nada de quem não tem vida de oração. Por que existe a necessidade de oração? Porque fomos criados para viver para Deus, por Ele e Nele; porque necessitamos da comunhão com Ele, pois do contrário não saberíamos o que somos de verdade, nem conheceríamos nossa origem e o nosso fim; porque somente em oração temos força para o combate contra tudo o que nos impede de sermos homens e mulheres dignos; porque precisamos vencer nosso orgulho, pois sem oração o homem continuará vivendo na ilusão de si mesmo; porque precisamos do alimento espiritual para poder continuar firmes nos desertos dos nossos tempos; PORQUE NECESSITAMOS ABSOLUTAMENTE DE DEUS EM TODOS OS SENTIDOS, PRINCIPALMENTE EM NOSSAS CONVICÇÕES.


 


2. Quanto ao juiz, trata-se de alguém que “não temia a Deus" e, consequentemente, "não respeitava homem algum". No final do texto, ele é chamado também de juiz injusto, iníquo, sem lei e sem fé. Na verdade, é alguém que só pensa no seu próprio bem, no seu conhecimento, no seu status quo, na sua posição, nos seus interesses e no nome que possui; não quer perder o poder e, além disso, serve-se dele para fazer o que bem entende. Do outro lado, encontra-se a viúva, lutando por seus direitos. Com a morte do marido, ela, sem advogados, vai por si só ao encontro daquele juiz, a fim de obter o que lhe é justo, o que lhe pertence. Ela tem um adversário que quer, a todo custo, tomar posse da herança deixada por seu marido por algum motivo não especificado. O fato é que ela insiste oportuna e inoportunamente.Ora, a comparação aqui realizada entre o juiz iníquo e Deus não é para afirmar que eles são iguais, mas para mostrar que se aquele juiz sendo mal pode fazer um bem, certamente à força, mediante o inconveniente da viúva, insistindo por seus direitos, muito mais o fará o Senhor, que é o BEM em si mesmo, o Criador e Salvador de todos. O texto faz transparecer a situação em que vivem os discípulos: uma realidade de perseguição, provas constantes e, por causa da aparente ausência de Deus, muitos entrando num estado de desilusão, pensando que Deus não se preocupa mais com eles, não vem visitá-los, deixando-os sofrer as injustiças e perseguições do seu tempo. É como se estivessem sido abandonados por Deus. Lc quer mostrar que Deus não abandona os seus e que os atende para sua salvação. Por que tanta perseguição aos inocentes, principalmente aqueles que rezam? O mundo do pecado odeia a verdade, o amor, a verdadeira liberdade e a vida. Esse é o mundo em que o homem inverte a situação de sua existência: ele deveria viver para Deus, mas age ao contrário, pretendendo colocar Deus como seu escravo. É o mundo do orgulho, do apego a si mesmo, das tiranias, das ideologias, das opressões da vaidade e do desejo de escravizador; mundo da satisfação individual, narcisista; mundo dos vícios e dos horrores. Trata-se de um mundo sem horizonte, sem direção, sem sentido e sem futuro glorioso. Em tal mundo, ser verdadeiro, justo, amável, promovedor da paz e da ordem, lutar para o bem do outro e da igualdade dos filhos de Deus, pensar sobre o que realmente dignifica o homem é ser pedra de tropeço para os "mundanos". Quem luta pelos seus direitos padece nas garras da burocracia corrupta, especialmente se for desprotegido. Quem defende os direitos dos inocentes também coloca sua cabeça na forca.


 


5. Por que Deus permite tanto sofrimento aos inocentes? Deus nos fez homens e mulheres livres, capazes de tomar nossas decisões para o bem, mas Infelizmente optamos pelo mal. Na verdade somos livres para o bem da nossa comunhão com Deus, mas de modo infeliz, em nossa limitação, muitas vezes preferimos o pecado. Muitos se entregam totalmente ao mal, tornam-se quase que uma espécie de encarnação satânica, prejudicando a si próprios e aos demais. As escolhas de qualquer pessoa não afetam somente quem as faz, mas a muitos que dependem ou vão depender delas. Alguém que decide matar milhões de pessoas, como no caso de Hitler, também dos comunistas na antiga União Soviética, na Espanha e na China, ou mesmo os terroristas, homens e mulheres que optam pela entrega cega de si mesmos à uma forma de vida, vendo somente seu mundo, seu universo interesseiro, não é impedido de fazê-lo porque, quando se pensa logo em Deus, sabemos que Ele tem outros modos de solucionar essa gravíssima situação. Deus conhece o interior de cada homem, mas também sabe que não pode eliminar a liberdade que concedeu à humanidade, e, ainda, sabe que pode conceder aos inocentes uma vida nova. Certamente isso é muito duro para nós, mas se não formos materialistas, temos consciência de que Deus, por ser Deus, se permite, é porque dará algo melhor tanto aos que padecem com a morte quanto a nós, indicando-nos um novo caminho na sua direção. Ele, o Pai, ofereceu-nos seu Filho amado. E qual foi a nossa reação? Por causa do nosso pecado, por causa de nossas más escolhas O lançamos na cruz. Quando livremente optamos pelo pecado, negamos o dom da nossa própria liberdade e concordamos, mesmo que indiretamente, em lançar Cristo na cruz.


 


6. A questão, no final do texto, evidencia um dado importante na comunidade e para a mesma: "será que o Senhor encontrará fé sobre a terra?" Em outras palavras, será que a comunidade está realmente confiante no Senhor? Será que, apesar das vicissitudes do tempo, ainda conseguem manter uma vida de oração perseverante? Será que ainda há encanto em suas vidas para com Jesus Cristo? Será que a "demora de Deus" não lhes fechou a abertura para o céu? Será que com o tempo não se deixaram envolver com os prazeres do mundo ou estão permitindo que estes, vagarosamente, mas de modo contínuo, vá ingressando no seu coração novamente? Lc insiste que a espera pela vinda de Jesus Cristo, o Salvador, deve ser mediante oração constante e persistente, confiante e desinteressada, corajosa e decidida, clara e totalmente voltada para Deus.


 


Um forte e carinhoso abraço.



 

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