Trata-se de uma comunidade, vivendo a partir dos anos 68 d.C, traumatizada pela perseguição judaica e romana. OS 10 MANDAMENTOS . 28 de 33.

 


Trata-se de uma comunidade, vivendo a partir dos anos 68 d.C, traumatizada pela perseguição judaica e romana. Tempo de guerra, violência civil, traições no poder romano. Confusão no império. Calamidades, pestes, caristia e, no âmbito religioso de Israel, a destruição do Templo de Jerusalém. Os cristãos pensavam como conciliar esses eventos com a esperança do Evangelho. Quarenta anos depois da ressurreição de Jesus, o que fazer? Como proceder? O que realmente esperar? Surgem aqueles que pregam qualquer coisa, exploram os inocentes, falsificam tudo e, no meio da crise, quem mais padece é a verdade, que por natureza sempre vence a batalha, destronando os poderes humanos opressores (Roma) e eliminando os falsos deuses dos pagãos e de muitos que, às escondidas, não professam a verdadeira fé por seguir quem os alimenta de ilusões.  


 


No perícope do Evangelho acima é possível perceber uma importante recomendação a que a comunidade tenha cuidado com ensinamentos enganosos. Uma leitura errada coloca tudo a perder. Não se pode prescindir da esperança. Como imagem apocalíptica, Marcos revela todo o cosmos estremecendo diante do Senhor de todas as coisas, o Senhor das criaturas e da salvação da humanidade. Tudo estremece diante daquele que traz consigo a renovação de todas as coisas. Deus intervém na história e seu explendor ofuscará os demais brilhos. Os astros serão apagados diante da verdadeira luz. Homens e mulheres que se dizem profetas, pregadores falsos da palavra, serão calados. Os chamados grandes líderes dos impérios, reinos e nações, indiferentes a Deus: tudo será apagado diante da chegada do Filho de Deus (indicada aqui pelos abalos cósmicos). Toda forma de poder que não serve ao bem será destruída, tanto nas nações quanto em instituições e pessoas físicas dominadas pelos encantos do mundo e pelos víciios. A Verdade se fará presente de forma gloriosa para todos. O homem enxergará verdadeiramente a luz, verá a Verdade escondida pelo inferno através dos dominadores dos reinos e nações idólatras.


 


O Filho do Homem é Jesus Cristo Aquele para o qual se movem todas as coisas. Ele é a plenitude de Israel, a plenitude de toda criação, Aquele pelo qual tudo será renovado. Por ele dar-se-á uma nova criação. Ele é o critério absoluto do julgamento final, realidade já presente no Evangelho quando Jesus afirma que Ele é “o Caminho, a Verdade e a Vida” e que “ninguém vai ao Pai senão por mim” (Jo 14,6). O mistério da cruz revela já, no acontecimento, o grande julgamento de uma humanidade que não consegue enxergar o amor de Deus combatendo contra o ódio provocado pela constante busca de si mesmo, existência hedonista e permissividade e escravização nos mais diversificados vícios.


 


O mundo está desorientado. Falta de sentido em quase tudo e na vida de muitos. Um grande pessimismo paira sobre as nações. Faltam modelos vivos, apaixonados, homens e mulheres da verdade. O que se vê, além de tudo, é a doutrina sendo pisoteada. Interpretações diversas e contrárias à verdade da Sagrada Escritura. Falsa religiosidade. O anúncio do Evangelho sem vigor. Apresentação de um “evangelho” sem sabor, sem luz e sem amor. Um mundo de corrupção histórica, imoralidades entronizadas nas mentes e corações de muitos homens e mulheres cristãos, desfocalização do anúncio missionário e do sentido da Igreja no mundo e, em nome do que não se sabe, implantação de uma falsa imagem de Deus balizada pelo “misericordismo”, pseudo-doutrina portadora de um ateísmo prático, subjacente nos terrenos sagrados da fé católica. Diante disso, o que fazer? O texto de hoje vem para encorajar e estimular os eleitos a uma mais profunda intimidade com Deus, a não perderem a esperança salvífica por meio de Jesus Cristo, a não abandonarem a barca em meio às tempestades e desilusões, fracassos e desconfianças nas autoridades. Devem, portanto, manter seus olhares fixos em Cristo. Ele morreu e ressuscitou, já venceu o pecado, o Satanás e a morte. Ele vencerá sempre. Quem permanecer firme até o fim será salvo (cf. Mt 24,13).


 


A grande lição da figueira: “Aprendei, pois, da figueira esta parábola: quando seus ramos ficam verdes e as folhas começam a brotar, sabeis que o verão está perto. Assim também, quando virdes acontecer essas coisas, ficai sabendo que o Filho do Homem está próximo, às portas (28-29). Esse ensinamento é animador, deixa claro o que realmente o Senhor espera dos Seus: que eles sejam, especialmente, atentos e vigilantes e, ainda, perseverantes, firmes na fé e na esperança, pois Ele voltará verdadeiramente. Os eleitos não devem prender-se aos acontecimentos, mas percebê-los como sinais, não se angustiarem com as desgraças, mas se manterem vigilantes em oração e na Palavra de Deus, crendo no Filho de Deus.


 


“Em verdade vos digo, esta geração não passará até que tudo isto aconteça. O céu e a terra passarão, mas as minhas palavras não passarão” (30-31). Jerusalém e o seu Templo caíram, mais tarde, Roma também caiu e, assim, muitos reinos e impérios

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