Os Santos Inocentes "A Igreja venera esses Inocentes como mártires, desde os primeiros séculos.
Os Santos Inocentes
"A Igreja venera esses Inocentes como mártires, desde os primeiros séculos. Uma vez que perderam a vida, logo depois da vinda de Cristo ao mundo, recorda a sua memória próxima à celebração do Natal. Por desejo do Papa Pio V, tal celebração foi elevada a Festa litúrgica.Prudêncio, poeta do século IV, definiu esses Inocentes, - no hino da Epifania do “Liber cathemerinòn” - como "flores martyrum", flores dos mártires, "que se tornaram brotos viçosos, por causa do perseguidor de Jesus Cristo".O santo Bispo de Cartago, Dom Quodvultdeus, disse em um sermão: "Essas crianças, sem saber, morreram por Cristo, enquanto seus pais choravam pela perda de seus mártires. Assim, Cristo fez suas testemunhas aqueles que ainda não falavam". E continua: "Ó dom maravilhoso da graça! Quais os merecimentos desses meninos, que se tornaram vencedores? Eles ainda nem falavam e já professavam a fé em Cristo! Eles não eram capazes de enfrentar uma luta, porque mal mexiam seus membros! No entanto, carregaram triunfantes a palma da vitória"!Enfim, os Santos Inocentes são uma pequena parte do exército de mártires que deram e ainda continuam dando testemunho, com seu sangue, da sua pertença a Cristo; essas criaturas puras escreveram a primeira página da longa lista dos mártires cristãos" (https://www.vaticannews.va/pt/santo-do-dia/12/28/ss--inocentes--martires.html).
Pois bem, nessas crianças já se encontrava o sinal da cruz do Salvador, do Menino Jesus. Mas no Natal já com essa reflexão dolorosa? Exatamente no Natal, onde não se deve procurar outra forma de paz senão esta que vem do testemunho de vida de inocentes, da doação de si mesmo feita pelos discípulos, do colocar-se absolutamente à disposição da vontade do Senhor, à semelhança de Jesus. Ser discípulo é não temer a cruz, a possibilidade de derramar o próprio sangue por Cristo, a fim de que seu Reino de justiça, paz, amor e verdade se estabeleça. O discípulo não deve se iludir quanto à realidade do mundo contrária à realidade abraçada por Jesus. O mundo quer permanecer na escuridão, no orgulho, na ilusão do poder, da manipulação e destruição da dignidade humana. É o mundo do medo, inclusive, medo daquele Menino de Nazaré tão simples e humilde. Esse mesmo mundo teme uma criança que veio com a vocação de reinar, mas não do jeito do mundo. Pelo contrário, Sua forma de reinar diz respeito ao serviço, à transformação dos corações, à descoberta de si mesmo, de Deus e da natureza. Ele foi temido porque os poderosos desse mundo se viram ameaçados. Então partiram para o combate desumano.
Muitos testemunham Cristo sem ainda terem pleno conhecimento dessa Verdade. Essa ação de Herodes manifesta sua crueldade, mesmo não se encontrando em outras fontes nenhuma citação sobre ela. Somente o Evangelho, até o momento, é fonte segura sobre a morte dessas crianças de dois anos para baixo. O autor faz notar que Jesus é o Novo Moisés, que estabelecerá o Novo Povo de Deus. Citando essa perseguição, força a ida de Jesus ao Egito para se cumprir o que está escrito em Os 11,1: "Do Egito chamei meu filho". Com isso, tem-se a informação sobre Jesus tanto quanto sua condição de Novo Moisés, perseguido, mas vitorioso, quanto de sua condição de filho de Deus. É, portanto, em Jesus que se tem a realização libertadora do povo de Deus de suas profecias, bem como a manifestação do Filho de Deus como Aquele que vai além de Moisés, sendo Ele o Tudo que o Pai tem a dizer para Israel e para todas as nações.
Assim como os poderosos fizeram com os inocentes (lembrando aqui o massacre das crianças israelitas por parte do Faraó no Egito: Ex 1,15-22) continuam fazendo ainda hoje; milhões de crianças são abortadas por ano; e milhares são mortas de fome. A luta pelo poder, pela beleza física, pelo sucesso, pela fama, por um nome forte, pelo prazer desordenado, enfim por si mesmo, permite o domínio de uns sobre outros, a manipulação, a escravidão e a morte dos inocentes. Isso significa que a luta contra Cristo permanece forte. O uso do poder sobre os inocentes é tirania, desordem mental, desequilíbrio, loucura e filiação com Satanás. O poder pelo poder é INIMIGO de Cristo. Quem o vive dessa forma é anticristo.
O Natal nos diz que é preciso ter coragem, abraçar a cruz e seguir o Verbo feito carne. No ambiente do menino Deus já havia os sinais do final de sua existência entre nós: AS FAIXAS (foi enfaixado e colocado no túmulo); A MANJEDOURA (madeira, sinal da cruz); NA MANJEDOURA (como alimento, sinal da Eucaristia); SENDO UMA CRIANÇA (sinal de que a missão está sob a ação livre do homem de fé, com a assistência do Espírito Santo); OS PASTORES (sinal dos ladrões ao lado da cruz); A MORTE DOS INOCENTES (sinal da perseguição, sofrimento e martírio da Igreja). Os mártires são os pequeninos de Jesus, aqueles que O acolheram absolutamente ou ainda, mesmo não sabendo o que estava nas sombras da perseguição, derramaram a totalidade de suas vidas por causa do Salvador.
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