Palavras de vida eterna

 


Evangelho


Naquele tempo, disse Jesus às multidões: 16 "Com quem vou comparar esta geração? São como crianças sentadas nas praças, que gritam para os colegas, dizendo: 17 'Tocamos flauta e vós não dançastes. Entoamos lamentações e vós não batestes no peito!' 18 Veio João, que não come nem bebe, e dizem: 'Ele está com um demônio'. 19 Veio o Filho do Homem, que come e bebe, e dizem: 'É um comilão e beberrão, amigo de cobradores de impostos e de pecadores'. Mas a sabedoria foi reconhecida com base em suas obras".

— Palavra da Salvação.


Reflexão


"Com quem vou comparar essa geração?". Jesus procura responder oferecendo duas situações: uma de festa e outra de tristeza: a primeira, convida à dança; a segunda, às lamentações. Nas duas situações, manifestam-se os que desejam fazer algo em vista do outro, como também aqueles que não se interessam por nada. Para os primeiros, a tentativa e o esforço; para os segundos, a indiferença. Nesse jogo, a história continua fazendo sofredores, apostadores e algozes; inocentes pilhados e massacrados em suas convicções; inimigos “livres”, despreocupados e mantenedores de “urgências” manipuladoras e escravizadoras. Muitos na estrada do bem, fazendo de si um tesouro para os demais; muitos outros pegando o caminho contrário, indiferentes à verdade, não se intimidam diante da desconstrução e destruição dos seus semelhantes.

 

Além da indiferença, há também uma tremenda incapacidade de discernimento, sinal da não abertura ao Espírito de Deus. O contexto de Jesus, marcadamente religioso, demonstrava, na elite religiosa, um fechamento muito grande quanto à questão de Deus. Apesar de serem envolvidos com a Lei de Deus, com a Sagrada Escritura, em tudo revelavam uma profunda inclinação para o universo do conhecimento e da aprovação social. Nesse ambiente, dificilmente se escutará a voz de um profeta, que será um empecilho para os interesses da casta dominante. Aqui são colocadas duas figuras significativas: João Batista e o próprio Jesus Cristo. O primeiro, por fazer abstinência demais, não é acolhido nem ouvido; o segundo, por não seguir a mesma linha de João, pretendendo estar à mesa com os pecadores e cobradores de impostos, também não é acolhido nem ouvido. Nem um modo de ser nem outro é acolhido. As questões que se impõem são as seguintes: o que pensa essa geração? O que deseja de sua existência esse povo? O que concebem como essencial?

 

Nem todos foram indiferentes. Muitos seguiram os ensinamentos de João Batista e, depois, seguiram Jesus Cristo. Também muitos ouviram os profetas no passado. Tais seguidores tinham como riqueza não a sabedoria dos homens, o conhecimento do mundo, a lógica de quem domina, mas unicamente um coração simples, aberto à ação de Deus, cheio de esperança e confiança no Senhor. Vendo as obras, foram capazes de perceber a Sabedoria de Deus. É aqui se que encontra o discípulo e a discípula tanto do tempo de Jesus quanto nos tempos atuais.

 

Hoje, a indiferença quanto à verdade de fé é gigantesca. Muitos não se sentem bem tendo que falar o nome de Deus; também sentem abuso quando se fala em religião; chegam a ter nojo da fé, como se bastasse o conhecimento científico que possuem; muitos outros preferem os dizeres prontos, as frases de efeito, os discursos lógicos, os ditos científicos; ainda outros, preferem viver de baladas, festas, futebol, bebedeiras, folias. Também há outros que preferem permanecer em casa grudados na internet ou no celular, dialogando por meio das redes sociais, mas nada de fé, oração, silêncio diante da Palavra de Deus, santa Missa, caridade e diálogo pessoal em muitos casos. Outros ainda, vão à Igreja, muitas vezes fazendo do local um point; tantos outros, procuram ter conhecimento de tudo, até mesmo da vida alheia, menos da verdade do ser humano diante de Deus; por último, alguns poucos procuram a Deus verdadeiramente.

 

Quando vamos acordar para a Verdade da nossa Salvação? Quando, de fato, seremos absolutamente servidores do Senhor, movidos por um amor total? Quando a Palavra de Deus será o nosso alimento sem o qual será impossível viver? A quem estamos dando ouvidos atualmente? Por que jogamos tantas palavras fora e não valorizamos uma profunda comunicação com Deus? Será que nossa dificuldade com a oração não é justamente o fato de nossas vontades não serem atendidas? Será que não gostaríamos que Deus fizesse o que nos interessa, mas não nos interessa a Sua Vontade? Em outras palavras: nossas comunicações não são sempre visando a nós mesmos e isso não é justamente o infame egoísmo disfarçado de abertura ao outro?


Um forte e carinhoso abraço.

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