Uma família especial: a FAMÍLIA DE NAZARÉ. O que a torna tão especial?
Uma família especial: a FAMÍLIA DE NAZARÉ. O que a torna tão especial? Não é necessário dar tantas voltas para se chegar à resposta mais plausível: Jesus é a razão de ser dela. Trata-se de um lar fundado na FÉ, na ESPERANÇA e no AMOR; ambiente onde os conselhos evangélicos se apresentam na sua forma mais perfeita: pobreza, castidade e obediência. Não podemos colocar tal família noutro patamar senão o de ser lugar da manifestação divina, do encabeçamento da Nova Humanidade, do encontro entre o divino e o humano, entre Aquele que se esvazia e a humanidade que se eleva, do “divino comércio: humanização de Deus e divinização do homem”; lugar para o qual os olhos desesperados se voltam na esperança de libertação, dignidade e paz.
2. Certamente, muitas famílias, a partir de um ponto de vista humano, se identificam com a estrutura familiar de Maria, José e Jesus, pois muitos são adotados, muitos, por consequência, são pais adotivos, mães adotivas, entre outros. É possível que cada uma encontre no lar de Nazaré uma luz para a própria experiência e vida relacional, podendo ir além do puramente natural e não temer avançar mais profundamente na beleza de uma família conforme o pensamento de Deus: cheia de fé, amor e esperança, desapego, temperança, unidade e fidelidade, não introduzindo em seu meio outra coisa senão a presença de Jesus Cristo. Até mesmo quem vive em orfanatos e abrigos pode, mediante uma profunda experiência de fé, entender e realizar, ali onde vive, uma forma familiar autêntica à luz da família humana de Jesus. Erroneamente muitos empregam conceitos familiares derivados de criações mirabolantes de homens e mulheres desfigurados da fé legítima; casos não raros no mundo inteiro. A definição de família não pode ser dada a partir de qualquer interpretação ou situação. O que define vida familiar é aquilo que a determina, que a fundamenta e lhe dá sustentação. Não existirá família onde a verdade não assume a cadeira principal, onde o amor oblatividade é reduzido, onde a vida é relativizada e a fé, insignificante. A família humana tem sua razão de ser somente em Deus.
3. Uma família obediente à Lei de Deus. A família de Nazaré cumpre a lei estabelecida em Dt 16,16-17, indo todos os anos a Jerusalém para a festa da páscoa. Como de costume, deve oferecer um dom no Templo, mas o texto de Lc não fala diretamente sobre o que Maria e José ofereceram. Se bem que, indiretamente, está dizendo que o dom oferecido é o próprio Jesus, que no alcance de Sua maturidade de fé, tem consciência de ser todo para o Pai. Maria e José precisam voltar ao cotidiano de suas vidas, mas Jesus é consciente de que deve voltar-se sempre mais à vontade do Pai, permanecer com Ele e cuidar do Seu projeto. A vida cotidiana é importante, mas é relativa; a vida de comunhão com Deus é absoluta. A melhor parte, portanto, como disse o próprio Jesus a Marta, é permanecer diante do Senhor, escutando-O, como fez Maria. A comunhão de Jesus com o Pai é desde toda a eternidade, e, na terra, ela se expressa na visibilidade de um Filho encarnado, obediente a pais humanos e de forma esvaziada: Jesus é obediente, inteligente, atencioso, decidido, autêntico, casto, celibatário, puro, confiante, consciente de sua identidade, missão e do modo como devia ser entre nós, e livre.
4. Depois de um dia de caminhada, Maria e José começam a procurar Jesus entre os parentes e conhecidos. Lc é categórico: se querem encontrar o Salvador é preciso ir ao lugar onde está o Seu coração. Jesus ama Seus familiares terrenos, mas Seu coração está no Pai. Ao procurar o filho, Maria e José lembram todos os que se encontravam perdidos com a morte de Jesus. Não sabiam o que fazer, para onde ir, onde encontrá-Lo agora. Aqui há uma evidente alusão à Páscoa cristã: primeiro à dureza da morte e depois, à ressurreição. Nesse caso, pode-se dizer que não é Jesus quem está perdido, mas quem O procura. Ele está na casa do Pai, esperando aqueles que O procuram e possam entendê-Lo. Essa espera não quer dizer que Ele não tome a iniciativa da salvação. Na verdade, Ele já tomou a iniciativa ao vir ao mundo, mas espera também a resposta do homem, esse ir até Ele, mesmo envolvido nas angústias e incertezas do tempo presente, mas confiantes. Se queremos a verdadeira transformação da humanidade, precisamos iluminar as pessoas, a fim de iniciarem o exercício da busca por Jesus, Revelação absoluta do Pai. Só haverá família de verdade quando todos entenderem que Jesus Cristo é a Razão de ser e único Caminho para a realização.
5. Maria e José encontram Jesus no Templo, sentado e ensinando aos doutores da lei, aqueles que serão Seus adversários, que irão forçar Sua crucificação. Como rezava o costume, aos doze anos, Jesus se tornou responsável pela Sua vida religiosa e civil. Mediante um rito chamado bar mizvah, o jovem judeu se tornava adulto perante a religião e a sociedade. Pois bem, Jesus se encontrava justamente nessa fase de passagem para uma vida adulta. Por isso, já podia, publicamente, declarar-se absolutamente pelo Pai, como um dom de SI mesmo a Deus. Por outro lado, de acordo com Sua resposta, Ele não estava negando a família humana. Pelo contrário, desceu com eles para Nazaré e era-lhes obediente. Aquilo que Ele é diante do Pai, obediência total, é também diante dos pais terrenos; não havia barreiras para Ele quanto ao ser obediente a pessoas humanas; Ele é plenamente realizado em Sua mente, é Homem perfeito, absolutamente Bom e Compreensivo; Ele entendeu Sua realidade nova; não criou barreiras entre o Ser Deus e ser homem. A obediência é uma Sua característica essencial.
6. No lar de Nazaré, Maria e José não aprisionam Jesus. De fato, Seus pais, mesmo quando não entendiam, guardavam tudo no coração, crendo totalmente em Deus. Nesse ponto, Lc apresenta Maria como o mais autêntico modelo de discípulo. Nem tudo ela sabia, mas conservava tudo no seu coração, dando passos cada vez mais profundos na sua vida de comunhão com Deus. Ela também O procura; ela é mãe por vocação, mas também toda para Ele como discípula. Jesus, por Seu lado, na Sua realidade humana, também crescia em sabedoria, estatura e graça, diante de Deus e diante dos homens, o que não quer dizer que Ele já não fosse sábio e pleno da graça. Ele, na verdade, é a própria sabedoria (cf. Lc 7,35; 11,31). É que, na Sua condição humana, Ele, a cada momento, devia se manter firme no SIM à vontade do Pai. Então, na medida do Seu crescimento estrutural, também se revelava um Homem cheio de graça e sabedoria; tal condição de vida mostra o quanto Ele realmente SE fez carne.
Como você tem vivido em família? Coloca sua família acima de tudo? Consegue entender que os laços de consanguinidade não são absolutos? Percebe que Jesus Cristo quis uma família não de qualquer jeito, mas fundamentada na fé, no amor e na verdade? Consegue perceber que a família de Nazaré revela a importância de sermos todos voltados para o Salvador? Entende que não se forma família por meio de ideologias, mas pela fé em Jesus Cristo e obediência à vontade do Pai? Como é sua família? É uma família? O que você tem feito para que sua casa seja lugar de salvação? Deus é a razão absoluta de sua vida?
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