No Natal, aprendemos que Jesus é o Emanuel (Deus conosco), que Seu nome significa “Deus Salva”, que é o Senhor, entre tantas belas e importantes afirmações sobre o Menino Jesus.
Hoje a Igreja celebra o dogma de Santa Maria Mãe de Deus. Não se trata de uma afirmação qualquer, algo acrescentado de qualquer jeito à fé da Igreja. No Natal, aprendemos que Jesus é o Emanuel (Deus conosco), que Seu nome significa “Deus Salva”, que é o Senhor, entre tantas belas e importantes afirmações sobre o Menino Jesus. Ora, ao se afirmar a divindade de Jesus, inseparavelmente afirmamos a maternidade divina da mãe que Ele mesmo escolheu para Si. Não se pode chamar a Jesus de Deus e dizer que Sua mãe é apenas mãe do homem Jesus, porque, assim, incorreríamos no mesmo erro de Nestório, enfrentado e combatido no Concílio de Éfeso, quando afirmava duas pessoas em Jesus. Um absurdo descomunal, pois o argumento da salvação seria lançado por terra, uma vez que se Jesus não fosse a Pessoa divina do Verbo não nos teria conseguido a salvação, como também se não fosse verdadeiramente homem, a mesma salvação não a teríamos conquistado por Ele. Jesus é o Verbo, a Palavra eterna do Pai, Filho essencial, feito o que nós somos verdadeiramente. Ele é a Pessoa divina encarnada, que se tornou filho da Virgem Maria segundo Sua humanidade. Então, são inseparáveis as afirmações “Jesus Deus” e “Maria Mãe de Deus”. Quem afirma a divindade de Jesus, também afirma a maternidade divina de Maria, e vice-versa, pois ao dizer Maria Mãe de Deus, afirma-se a divindade do Salvador, e esse é o objetivo da definição de Éfeso, que quer assegurar a divindade e a unidade das duas naturezas na Única Pessoa do Verbo.
2. O tornar-se Humano de Jesus é a mais elevada bênção de Deus para a humanidade. Os primeiros a provarem dessa bênção, depois de José e Maria, foram os pastores. É bem verdade que os pastores eram figuras que não respeitavam as propriedades alheias, segundo alguns estudiosos, exploravam nos valores das coisas que podiam obter com as ovelhas, não eram merecedores de cargos importantes na sociedade de Israel, não mereciam respeito por parte de quem procurava viver dignamente a lei; eram também homens simples, desprezados pelo fato de não colocarem em prática o que pedia a lei mosaica. A eles foi anunciada a presença do Salvador. Eles escutaram a voz do anjo e foram ao encontro do menino. Ao avistarem o MENINO, na manjedoura, sentiram-se valorizados, porque aquele lugar fazia parte da realidade deles. Assim, ficou fácil reconhecê-LO. Depois do encontro, tornaram-se proclamadores do Verbo feito carne. Mais tarde, Jesus vai formar Seu "rebanho", tomando justamente essa imagem do pastor e suas ovelhas. Em Jo 10, Ele mesmo afirma ser o BOM PASTOR, o Verdadeiro Pastor, que certamente deseja formar o melhor rebanho, o Verdadeiro rebanho. Sendo Ele a Verdade, o rebanho inserido nele necessariamente tem que ser verdadeiro, autêntico, do jeito dele.
3. Os pastores se colocaram ao lado do menino assim como os ladrões, do lado do crucificado. Os primeiros divulgaram as maravilhas contempladas para todos; um dos ladrões descobriu a verdade sobre o Crucificado e a Ele se converteu mediante um curto diálogo com o Redentor. Aqueles e este realmente abriram-se ao mistério de Deus e deixaram-se envolver por sua graça. O encontro com Cristo modificou-os para sempre; seus olhos viram a verdade, o essencial, o tesouro jamais encontrado, impossível de ser renunciado; viram a “face de Deus” no presépio e na cruz. Tal encontro trouxe para eles a paz interior, mais vontade de viver, liberdade e fecundidade espiritual. Eles se tornaram livres diante de Deus e dos homens. Receberam a verdadeira bênção que jamais será abolida; viram a face de Deus e não morreram; iniciaram uma vida nova, protegida pelo Senhor, e se transformaram em instrumentos de bênçãos para todos (cf. Nm 6,22-27).
4. O Salvador veio na plenitude dos tempos, nascido de “uma Mulher” (cf. Gl 4,4). Essa é a Mulher da revelação, já inscrita em Gn 3,15. Em Is 7,14, é a Jovem ou a Virgem, também presente em Mt 1,23, é Maria (Lc 1,27), a Mãe do Verbo feito carne, a Mãe do Senhor (cf. Lc 1,43), a Mulher escolhida por Deus para ser sua Mãe segundo sua humanidade assumida, guardava esses fatos e os meditava no silêncio do seu coração. Ela, a plena de graça, toda de Deus, serva amiga e encantadora do Senhor, maravilhava-se da atenção e do amor de Deus por Ela e pela humanidade. É a abençoada por excelência, a Mulher viva, livre e duplamente fecunda (mãe segundo a carne e mãe segundo a obediência à vontade do Senhor). É compreensível o modo como a humanidade a acolhe, uma vez que ela soube somente ser toda de Deus e toda para a salvação de todos. Maria é a mais perfeita memória do encontro de Deus com a humanidade através do Verbo feito carne. Certamente, Lc recebeu muitas informações de Maria sobre o mistério da encarnação. Maria, pode-se afirmar, é o autêntico sinal da fecundação da Palavra de Deus na vida do discípulo. Ela, no silêncio do seu coração, meditava, interpretava e se lançava nos mistérios de Deus, agindo como a mais brilhante teóloga de todos os tempos. Por ela, a solidariedade de Deus se fez presente na nossa história.
5. O Menino recebe o nome de Jesus, que significa "Deus salva". O nome indica a identidade da pessoa, aquilo que ela é. No nome do menino existe sua própria realidade: ele é divino e é o Salvador. Uma vez encarnado, participa naturalmente da vida humana no contexto que lhe é próprio; obedece às leis existentes, mas dando-lhes pleno cumprimento. Ele não somente cumpre a Lei, mas a plenifica, dando-lhe seu mais elevado sentido. Ele é a presença de Deus na história, é Deus conosco nos abençoando, protegendo e plenificando-nos com Sua bênção que vivifica, liberta, fecunda e produz a paz. Só em mostrar Seu rosto em Jesus de Nazaré, Deus nos concede a plenitude de todo o Seu querer salvífico. O que era impossível para o Antigo Testamento, uma vez que trazia a morte, em Jesus Cristo tornou-se fonte de vida e salvação: ver a face de Deus. Pois é, Jesus é a imagem visível do Deus invisível (cf. Cl 1,15), e ainda, como disse a Filipe: “Quem me vê, vê o Pai” (Jo 14,9), “…vê Aquele que me enviou” (Jo 12,45). De fato, quem se aproxima da Imagem do Pai não morre mais, pelo contrário, tem a vida eterna. Os pastores e todos os que tiveram um autêntico encontro com Cristo tornaram-se pessoas novas, homens e mulheres vivos, livres, abençoados e fecundos na graça e no amor de Deus, para o bem de si mesmos e de toda a humanidade.
Que a paz do Senhor habite sempre na sua vida. Seja sempre uma pessoa viva na fé e na esperança, totalmente aberta à ação da misericórdia de Deus. Deixe que o Espírito Santo envolva todo o seu ser e o transforme, identificando-o com Cristo. Busque sempre mais ter a fecundidade espiritual e a alegria de ser uma bênção de Deus para todos os que estiveram ao seu lado. Mesmo que o mundo lhe seja hostil, conserve-se na direção de Deus, não penda nem para a direita nem muito menos para a esquerda, seja totalmente obediente à Palavra do Senhor. Dias difíceis virão, mas serão também de muitas bênçãos para quem for fiel a Deus.
Um forte e carinhoso abraço.
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